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Pequenos apontamentos sobre os lisímetros

Antes de falar de como medir a água contida no solo, devemos saber em que formas se apresenta nesse água. Isto já tivemos em artigos anteriores, assim que se você quiser consultar em seguida deixamos-vos o link sobre a água do solo e seu comportamento. Podemos contar com os dedos de uma mão as formas em que se encontra a água no solo. A água livre, capilar e a hygroscopic. A que nos interessa para as culturas é a capilar que é de fácil disponibilidade para as plantas.

O mesmo acontece com a água na planta. Também sabemos como ele se comporta e como o reino vegetal faz uso dela. Em outro artigo que escreveu o nosso colaborador Eduardo Casasnovas, nos contou como interagia de fato a água na planta e há ainda de regar bem, de forma otimizada, para não incorrer em desequilíbrios hídricos, tanto por defeito como por excesso.

No primeiro link sobre a água do solo que vos demos aqui, fala-se da umidade do solo. Este conceito nada tem a ver com a lisimetría. Vamos diferenciá-los.
O conteúdo de umidade de um solo medido de forma correta deve ser uma vez que se tenha escoado o restante de forma natural. Com isto conseguimos saber o teor em água que fica retida, que ao fim e ao cabo, parte dessa água é que as plantas vão utilizar em seus processos. Este conteúdo de umidade pode ser facilmente medido por um medidor de tensão arterial, ou sonda de umidade que pode nos dar medições pontuais no tempo, com a frequência que se considere.
No entanto, o lisímetro é muito mais complexo aos dados de que dispõe. A água em um solo sofre mudanças e processos físicos de todo tipo, como já vimos em artigos anteriores. O lisímetro, graças ao seu princípio de funcionamento pode registar as saídas de água no solo. Como entradas, principalmente, em um terreno agrícola podemos ter 2 que são as chuvas e o risco que nós lhe possamos dar. Isso medimos facilmente com pluviômetros, medidores de vazão, etc
E como saídas, podemos ter a drenagem, a evapotranspiração (se houver cobertura vegetal) e a água que fica no solo. Com um tensíometro conseguimos saber a umidade do solo em um dado momento que, teoricamente, deve ser quando a água de drenagem já passou. O que não é fácil é determinar em que momento isso ocorre no solo. O lisímetro consegue medir a quantidade perdida pela evapotranspiração e escoamento por isso, também podemos conhecer o volume de água que fica no solo.
A evapotranspiração é uma medida muito utilizada, já que permite conhecer o consumo hídrico das culturas e, portanto, nos dá exatamente as necessidades de água a fornecer, na forma de irrigação. Pode ser calculado através de fórmulas já bem estabelecidas, como Penman-Montheith que considerarem de forma indireta. No entanto, o lisímetro pode calculá-lo de forma direta prévia calibração e validação.
Não vamos entrar nos tipos de lisímetro hoje, porque nós ficaríamos horas e cada um é um mundo, mas basicamente vos podemos dizer que depende para o que você quiser, podemos ter lisímetros que nos calcule a água de drenagem do solo e o balanço hídrico e outros em que podemos recuperar a solução do solo para determinar a composição da solução do solo e ver possíveis contaminantes, excesso ou falta de nutrientes para o cultivo etc. São chamados de lisímetros de sucção.
Uma das batalhas mais acuciadas na medida dos lisímetros é a separação do volume de solo que se avalia. Ao estar separado do solo real, pode haver variações nas medidas, embora hoje em dia já existem materiais e projetos que compensem e eliminam o erro ou o “efeito de borda”, que pode causar esse volume de solo necessário para o instrumento.
Outro dia falaremos de diferentes tipos de lisímetros.
Uma saudação de Agromática

Elaine

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